domingo, 17 de maio de 2015

"Os Meus Fantasmas"

Estou, desde que nasci, 
para mim mesma, 
em muitas versões, 
tentando descobrir se sou o "alvo" ou a "seta". 
Houve um tempo, 
e às vezes ele persiste, 
em que eu acreditei que não sobreviveríamos a nós mesmos... 
Que não sobraria nada do que era para sermos. 
Mas, contrariando o percurso, 
ainda estamos aqui. 

O primeiro "deles" foi a humana miséria.
Tudo é falta. 

Mesmo o esforço de minha mãe em prover era (quase) nulo. 
Tantas vezes ela errou tentando acertar. 
E algumas vezes ela acertou ao errar. 
Toda a sua coragem, refletia seu pavor. 
Todo o seu trabalho, revelava a insuficiência de duas mãos 
de um corpo frágil, 
e de uma mente transtornada pela violência da perda. 
Tantos irmãos e irmãs, 
tantas bocas e tão poucos alimentos. 
Tantos sonhos e as impossibilidades de realiza-los. 
Tantos medos, todos concretizados.
Uma família extensa e tanto abandono e solidão. 
Não havia tempo para as lágrimas, 
embora elas insistissem em se mostrar no abatimento das almas, 
na desesperança de mais um nascimento, 
tão abençoado! 

Ser mulher, 
divorciada, 
viúva de um mancebo, 
mãe de onze, 
estando cinco ausentes.
Quanta dor nessas ausências...
O julgamento da "sociedade". 
O tratamento dado às filhas desse fruto. 
O destino dos filhos traçado no berço, se berço fosse. 

Nesse meio tão perdida, 
desde sempre, 
insatisfeita, desentendida, 
capaz do tudo ou do nada, 
mas sempre no meio do caminho, 
sempre no caminho das pedras.
Sempre essa, humana, inevitável e horrível condição.

Nós e os outros,
somos todos,
o que há de pior em toda a criação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário