sábado, 25 de julho de 2015

A Minha, e a Não-Sua, Loucura Alice...

Cama
(Autoria não identificada. Visto em: www.oantrodaloba.blogspot.com.br/)


Há algum tempo tenho mantido uma rotina cotidiana, 
me sinto louca e tola por isso.
Encarcerada e um pouco infeliz, 
apesar dos resultados...
Quero escapar, mas ainda não...

Eu, geralmente, 
durmo durante o dia 
e mantenho-me acordada a noite. 
Muitos são os detalhes, 
da noite, 
que me atraem. 
Entre eles: 

o silêncio, 
que me possibilita escutar 
o inaudível durante os tumultos dos dias; 

a escuridão, 
que torna tão visível a luz; 

as sombras,
que demarcam, 
eficazmente, 
os limites da claridade; 

o brilho, 
tão opaco, do universo, 
em meio ao resultado da brilhante ação humana 
e da luminosidade do sol,
que mais esconde do que mostra; 

a solidão,
que revela o quão pequena 
e insignificante eu sou, 
remédio muito potente 
contra a estupidez da vaidade; 

o encontro,
necessário comigo mesma, 
o estar ausente dos outros, 
o que torna possível ver minhas transparências, 
meus vazios, meus cheios e meus fantasmas; 

a minha voz, 
tão silenciada  por vozes alheias, 
tanto que, 
em alguns momentos, 
não sei se quem sou fala 
ou se revozea outros seres...

Mas, os dias têm me exigido, 
constante presença. 
E me feito perder o sono 
e os sonhos que ele me proporciona.
Já não sonho acordada a muito tempo.
O que é um pesar!

Os dias têm sido chatos, 
barulhentos e insistentes.
Isentos de ação... 
Não tenho sabido me livrar deles. 

Dormindo pouco, 
sinto o sono, 
o tempo inteiro a me convidar, 
a clamar por minha presença ausente. 
Porém, não tenho podido responder 
ao seu chamado. 
Recuso-me a uma total entrega à regra. 

Encarno a insônia, 
que me pesa e cansa, 
mas me traz, constante, 
a recordação de quem eu, 
realmente, 
não sou. 

Uma memória, 
imaginativa, 
uma quase lembrança. 

Não sou só matéria, 
embora ponha em dúvida, 
constantemente, 
o meu espírito abstrato, 
no entanto, concreto. 

Sou matéria consistente, 
todavia, imensa e profundamente, abstrata. 
Contudo,
não tenho alcançado 
o corpo da minha alma em mim, 
menos ainda nos outros. 

Os outros me desviam, 
encantadoramente, 
das minhas próprias configurações
ou desconfigurações. 

Apenas um outro, 
especial, único, 
uma rocha sutil, 
uma corrente de elos corrompidos
fez-me perder o sono 
e os sonhos alegremente.

Hoje discutindo a minha, 
entendi a sua, 
loucura... 
Não é sua, é alheia. 

Ele não é brilhante, 
não é luz, nem sombra. 
É sombra da sombra, 
o escuro da escuridão. 
O que se quer apagado. 

É como o sol, 
que pode até clarear e aquecer a grande distância...
De perto queima, dissolve, suga toda a energia 
e apaga a qualquer outro com seus, pensamentos, raios... 
Copiados, (in)próprios, 
vasto conhecedor, 
por experiência,
da destruição.

Um ato precipitado, 
apenas um 'ter' e não um 'ser'. 
Radioativo, 
contaminou, 
o Anjo de olhos incendiados e cegos. 
E os fez tão cegos...

Estou de luto, 
sei agora, 
que morreu Alice... 
A muito tempo antes de mim.
Eu lidava com um corpo desalmado
e não percebi...

O que vi e vejo, 
nessas noites e dias de insônia, 
são restos de um ser, 
de um Azul que já não o é, 
que se deixou subsumir pelo caminho 
por um universo pequeno, 
incolor e medilcre,
que se mostra como se grande fosse, 
não o é. 
Nunca foi ou será...

Estou tão triste, 
desentendi, 
como tanta beleza 
pode se afundar em tanto horror, 
propagandear uma farsa trágica 
e miseravelmente superficial 
como se fosse bela e profunda.

Foi ele quem te chicoteou até (quase) a morte Alice? 
Quem te aconselhou levar ao tronco todos os, 
supostamente, 
menores e piores do que pensas ser?

Pobre de ti, 
que possui todos os tesouros, 
mas se juntou com um ser, 
sem alma, 
Ninfa. 

Ele não te fez humana, 
apenas roubou a tua divindade. 
Mostrou-te a porta, 
mas não te deixou sair
ou entrar...
Te faz permanecer no entre,
sem, contudo, tocar as bordas.

Ainda hoje... 
Mantem-te presa,
nos e por,
teus elos quebrados... 
Vaidade... Carência... Ignorância... Medo... 
É só o que se percebe.

Não eu... 

Onde está escondido o que se perdeu? 
O que te fez apenas superfície?
Que caminho fez? 
Volta e vê, 
observa o percurso... 
Pensa os seus tempos 
e lugares...
Em algum canto se abandonou. 

Em algum canto está a espera. 
Queira-se de volta. 
Ter não faz alguém ser.

Não estou no caminho. 
O meu é paralelo ao seu... 
Nos vimos, 
nos tocamos em algum ponto, 
mas tendemos ao distanciamento desde então. 

Eu grito... Ouça... 
De longe, cada dia mais longe...
Volte a si. 
Seja lá o que 'si' for.

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