quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Paisagem Que Nos Toca

(Imagens do filme: Imagine Eu e Você)

Não é um conjunto de coisas 'parisinas'
compõe-se de um o território abrangível
com um lance de vista
É o comum que nos separa
Esse pouco de sal 
do seu mar pacífico
azul e gélido
Esse outro mar 
insosso que nos inunda
água incapaz de saciar a nossa sede
não nos lava, nem leva
Eu
uma pedinte (quase) púrpura
a mendigar 
pro meu atlântico vermelho 
mais do seu azul
Eu
o pato feio 
cujas penas perderam o brilho
com tantos anos de tristeza
que somados contariam sete velhos
e suas velhas
histórias
a desejar ser o cisne

Sou o cego a tatear
coloco-me à prova
tentando ver e reconhecer
ainda em mim
os teus sinais
Agora ignoro
a tua curvatura interior
e os teus espaços a descoberto
a geografia dos teus relevos
das tuas saliências
Não consigo mais te ler
saber o teu lugar no lugar que sou
Tampouco
traduzir as linhas 
das várias faces
Dos inúmeros caminhos
que nos unem e separam
Mera transeunte?
Di-me que não sois
apenas uma estrutura que suporta o corpo
um ser sem sentimentos
amanhador de almas
Di-me que não sois
apenas o crepúsculo vespertino
o jogo de luz breve que precede a escuridão
Entrelinha...
Na dança macabra do dia com a noite
Di-me 
Que a afeição não é passado
ou uma mentira
Que não preciso me esquecer 
da cidade vizinha
da ciência maldosa que nos (des)uniu
e provoca em nós tantos ciúmes
das brumas dos teus olhos e pensamentos
as quais te anoiteceram
das tempestades impressas
em tuas palavras silenciadas
e das chuvas dos teus dedos trêmulos 
ausente dos meus
Que fomos reais
não apenas uma sequência 
de desejos
fatos e atos 
mal premeditados
Que nos concretizamos 
no meu e no seu espaço-tempo comum
Ao nosso modo incomum
como uma claridade frouxa 
precedendo o clarão do dia
Que não foi em vão
Que hemos de ser
o mais vibrante e eterno arrebol
Entre carne e espírito 
recíprocas

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