quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Não me pretendo como tal...

(Autoria da imagem não identificada - Visto em: www.tentandoregularatemperatura.com)

Não uso as palavras como enfeite. Escrevo... Não Poemas. 
Alguma coisa sobre seres tolos. 

Eu sou um tolo e pertenci a outro... 

Eu porque acredito no amor, creio nessa verdade... A tenho em mim.
Sinto essa loucura que ignora gênero, classe, palavras, nãos, limites... Tudo. 
E que, ao mesmo tempo, não é indiferente a nada.

O outro por não saber nada sobre o que isso significa.

Acreditei nesse outro, o admiti nesse meu lugar. 
Cada dia envelheci pensando e desejando-o. 
Agora vejo nele a incapacidade de sentir, 
de me perceber como igual e de perceber-se a si mesmo. 
Não queria ver algo assim, recusei-me o quanto pude...

Ouço todos os seus ditos sobre o quanto nada significa nada.
Não acontece da mesma forma para mim. Compreendo sua incredulidade. 
Não gosta de si, do que se acostumou a mostrar, do que a vida o obrigou a ocultar
do que está velado, mas lhe escapa. E, por não se aceitar, 
não é capaz de crer que alguém o faça.

Julga impossível alguém (o) amar, quando nem mesmo ele o faz.
Porém, cada gesto mínimo (signi)ficou e ainda significa... De outro modo, talvez...
Portanto, eu diria a este ser, se me ouvisse:

Não precisa reforçar, a cada instante, que não lhe faço falta. 
Não quero fazer falta. Não sou da defesa, sou do ataque. 
Sem ignorar que não é um jogo...

Que... Pretenciosamente?... Quis preencher alguns dos seus espaços vazios. Ser...
A sombra da sombra nos momentos vibrantes de extrema e escura solidão.
Que talvez demore a entender, a respeitar isso que não compreende.
Mas, que irá... Num dia qualquer... (In)esperado. 
E que lhe desejo um encontro melhor que o meu!

Que talvez não aconteça partilharmos mais nada em nossas vidas 
ainda assim, que eu seria capaz de (quase) todos os sacrifícios pelo seu bem. 
E o lembraria que lhe dediquei amor, não um mero esforço, mal elaborado, de escrita. 
Que um ou mesmo todos os "poemas" não podem abranger... 
Porque o que é... A palavra não alcança.

Diria a este outro tolo para não zombar dos melhores sentimentos 
que podem se manifestar de um ser para outro.
para não banalizar o que nunca foi ou será banal. 

Diria que houve um tempo em que bastava o seu nome para acelerar o ritmo do meu sangue 
e pôr tudo em descompasso. Que bastava sua voz para fazer eu me sentir no céu e no inferno ao mesmo tempo. 
Um simples olhar para eu me sentir, ridiculamente, o mais feliz dos seres...

Que eu fui mais do que mãos trêmulas e frias, mais do que um rubor diante de dele. 
Pediria que não o negasse... Que não destrua tudo, pois nunca se sabe o que virá. 
Dir-lhe-ia que sua (in)sensibilidade não o permitiu viver e morrer com um, único, toque... 
(In)Feliz dele... Mas, que a minha sim. 
Que morri e ressuscitei tantas vezes com uma simples lembrança sua... 
O que nunca será insignificante.

Eu pediria a este outro ser tão tolo ou mais do que eu, se pudesse,
para que não deixe a estupidez da vaidade ou da insegurança o cegar.  
E diria que ele não venceu. Que se existisse um vencedor, teria sido eu... 
Porque fui eu que vivi o que era para ser vivido, que sofri o que havia para ser sofrido. 
E experimentei toda a felicidade e dor desse (in)possível. Todo o desejo. Todo o prazer...

Se me ouvisse, esse tolo, pediria para não me julgar pelo que não existe nele. 
Porque, mesmo que não passe de sonho, tudo que reelaboro em palavras...
Vivi cada letra, acento, vírgula e ponto que sonhado

Se tivesse ouvidos lhe diria que teria sido melhor se ele estivesse lá comigo. 
Se suas mãos tivessem segurado as minhas, que desejaram tanto acalentá-lo. 
E seu corpo envolvido o meu, ansioso pelo seu calor 
(Quase) a morte... Supondo tocar-lhe. 

Que o meu ser: carne, osso, sangue, impulso... O quis mais do que a mim mesma.
Que o amei intensa e irracionalmente. 
Que doeu tão fundo, foi tanta dor, e mais dor, que mal sobrevivi.
E mesmo sabendo da mobilidade da sua superfície, 
jamais pensei que fosse apenas isso... Superfície...

Eu lhe diria que nunca deixei de amar quem amei, que não sei ser possível desamar. 
Que esta é uma bem-aventurança ou uma desgraça, parece-me,  sem fim. 
Mas, que tudo, a seu tempo, se põe em estado de calmaria.

Ao identificá-lo como uma figura teatral, estranha, fria, 
vaidosa ou insegura, violenta, cruel, insensata... Já nem sei...
Que é para não morrer de tristeza e para não ver meu amor adoecido, 
transtornado e transformado em ódio, ou algo ruim,
Que todos os dias, vou deixá-lo se matar em mim.

Focarei seu (des)amor, suas omissões, seu silêncio covarde, (i)moderado...
Seu deboche, seus supérfluos motivos, suas palavras ou (in)ações... 
Porque, embora esse tolo não me veja eu sempre o vi. 
Esse tolo não sabe nada sobre mim, exceto o obvio. 
Não há tempo nele para o outro que sou... 
Sabe apenas aquilo que eu mesma lhe tenho dito. 
Diria a ele para não se esquecer, no entanto, que eu posso não lhe ter tudo dito. 

Diria ainda, se pudesse que, por ele, não me permitirei mais nenhuma tristeza
Que o deixarei passar como um rio, permitirei que faça seu percurso completo em mim. 
Já que escolheu não ser mar, embora tenha perdido toda a sua doçura...
Que, com o tempo, será apenas uma lembrança, não a água, só uma pedra rolada... 
Se bela ou horrenda ainda não sei... Esta série ininterrupta de momentos nos dirá. 

Lembraria a ele que o tempo todo dizemos e ouvirmos "verdades", 
mas pediria para não se esquecer de que não passam de ilusões cridas.
É o futuro que o fará ver que não sou apenas palavras... 
Que elas por mais mágicas, ridículas ou dolorosas que sejam, 
são sempre mais do que aquilo que nos dizem, são também tudo que calam
Se um dia for capaz de sentimento igual, então, entenderá

Diria a ele que peço luz para o seu caminho. Porque está no escuro, 
temendo tocar, sem saber do meu e do seu próprio sentir. 
Que, embora cego e insensível, ele sabe ferir profundo quem sente. 
Fosse ouvido, dir-lhe-ia que não é viável ser feliz assim!
Que um dia, quando vencer seu ego, compreenderá o que se passa aqui. 
O que escrevo, palavra por palavra, tudo (se) fará sentido. Espero, só, não seja tarde...

Diria ainda que não há nisso drama, nem tragédia, nem mesmo o fim.
Que estou bem apesar de tudo. E enquanto não chega o tempo dele se escrever...
Escreverei, eu. Não o que se lê, posto que ainda não saiba! 
Mas, só o que sou, sinto e, ao meu modo, vivo.

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