sábado, 26 de setembro de 2015

Tarde Finda

(Claude Monet - Mulher com Sombrinha - 1886 - Óleo sobre tela - Museu D'Orsay Paris - Imagem vista em: www.artesteves.blogspot.com.br)


A noite toca as mãos da dia
o dia se entrega
a esse ir e vir da luz
às suas carícias
à sua perda total
ao seu (des)domínio

Assim como esse (des)entardecer
o é noite e nem dia
O meu corpo
não é corpo inteiro 
fora do teu alcance

Tudo é só apatia 
sem o incomum das tuas cores

Toda noite te espero chegar
a tempo de ser arrebol

Desejo não ter que viver
para sempre
da esperança na manhã seguinte 
porque é lídimo ser urgente
e-terno o que alegra

Esta é a hora
do anjo torto
dar-me à morte

Nas noites
A dor de viver e morrer
Reúne e induz todas as penas

Este anjo malvado canta um hino 
E para cada sol que se põe
torna-me una com o que me trai e fere

Ele me expõe às tuas emoções
grita da borda de um raio do sol 
de partida para o outro lado:

"Não há mais tempo!
Não deixe que a demora te trague
Não hesite
como disse o poeta
"a vida é breve"
Seja porto
minha praia
Descanse na resignação
Até que a noite passe"

Respiro uma dose ou mais
desse hálito inebriante 
que faz ir ao fundo
e tocar a ousadia
desse mar de claridade atenuada

Antes do esquecimento da dor
para que o viver não seja apenas lembrar
para não escapar desse feixe de luz
que desponta neste azul alterado
por sombras cautelosas

"Sempre haverá noite"
grita o anjo
"dúvidas impossíveis
conflitos e medos
exércitos adversários
lute e vença"

Inundo-me dessas palavras de luz
desse sol que sempre se vai
E retorna
constante
para me fazer
um dia novo
a cada dia

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