domingo, 29 de novembro de 2015

Ainda Ouso

(Kiko Dincal - Xilogravura - Prova 4)

Sou toda emoção agora
Toda ousadia
Toda escrita
Toda palavra
Ação

Não me resumo mais a alguns cantos
Desprovidos de consistente tensão
Ouso não sair do lugar
E mesmo assim ir mais longe

Tenho ousado amar
Manter presente
E me manter quieta
Sustentar-me 
Com gestos tímidos e perfeitos 

Tenho sobrevivido
A esta loucura
A esta maravilhosa insensatez
Decidi não mais resistir
A delicada insistência
Do que me quer para si
E alcança-me

Se me acostumo a não esquecer
A trilhar novos caminhos
Não sei

O doce destino me obriga seguir
A sentir-me outra
E aceitar esta presença
A tomar todos os meus espaços 
Deixados, vazios...

Este novo 
Apaga uma velha falta
Com ele
Sou mais feliz
Do que poderia ser

Não é a primeira vez 
Que sofro 
Desse 'mal'
Desejável que se prolongue
Mas, suspeito que a partir de agora
serei um Nós real
E que esta história será de longa duração

É o que diz a razão
O que ouço do pensamento
Que se cala e se farta no que agora é
Este pensar que conclui em mim
A necessidade da lembrança
Que me motiva 
A ir além do esquecimento

Por hora
Não quero sonhos se não estiver neles
Não careço de amor se ele não vier de ti
Minhas preocupações
Desnecessárias
Giram em torno da nossa existência
Minhas dúvidas em torno dos nossos sins e nãos

Tenho pensado em mim
E em ti, só em ti além
Minha pena tão suave
É que pensar já não basta

Minha atual causa
Meu mais acertado erro
O mais intenso experimentado
E sentido

Sol que não acaba em minha solidão
(Im)Possível
Luz que não é apenas arrebol
Não desejado, nem premeditado

Ventania que interrompe minha respiração
Que arrasa meus cabelos
Que me leva consigo
Sem a qual
Não mais existo

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