domingo, 27 de dezembro de 2015

O Fim do Abismo

(Autoria da imagem não identificada - Vista em: www.google.com/image)

Vaguei em mundos de fantasia
pisei o (ir)real
até chegar aqui

Vivi outras vidas
Tive outros amores
Não me queixo
tenho pouco a dizer sobre os tais

Neles não pressentia o futuro
E não havia nós a dizer sobre o nós

Eles não me fizeram repetir Machado de Assis
Foram vulgares
Não os tenho (re)conhecidos

Meu espírito
Meu corpo
Reclamavam pelos teus eus
por estar sob tuas garras, presas...

Depois de contemplar teu olhar
dos inesquecíveis
embora míseros momentos
“Como não te amaria eu?...”

Como poderia eu
sem ti 
queimar o mundo 
cantado pelo poeta?

...Minha vida...
Não sobrou resto de mim
noutro lugar não existo

Não luto contra o destino
Batalha e guerra perdida seria...

Melhor é deixar que me arraste pelos cabelos
que me tome e leve para onde queira...
Como já disse outro amante
melhor do que eu

As minhas penas
não compõem asas co
mo as tuas Anjo...
"Mas, eu não reflito, agora eu sinto..."

O que há em mim é o desejo do seu voo
Por ele entrei em espaço desconhecido
Por ele saltei e venci o medo do precipício

O que se passa nessa queda
E aqui dentro
É o que meu escrito te faz saber 
Ser amado

Não me veste bem as afeiçoes que agora posso ter
Não me (des)cobre o afeto 
respeitoso ou desavergonhado dos outros

Não me acalenta a sentimental complacência alheia
Não me queimam as paixões que não sentir arder em ti

Fomos escolhidos por este caminho
O tempo não é o único a nos acariciar
com mãos de aço
enquanto dura essa espera

Deixam eles
caminho e tempo 
todas as suas cicatrizes em nós
até que não possamos mais nos reconhecermos sós

Assim como o tempo e o caminho
o meu desejo te escolheu
não eu
Fez-te em mim
gigante e nobre
incomum

Ainda que seja chuva
faz-se de tempestade em mim
Ainda que anônima ou antônima 
está a postos para me ver derramar

E derramo um oceano de doces palavras ridículas
amontoadas em um nexo particular
confuso e essencial

Seiva nossa tais sussurros
que no íntimo nos alimenta
guarda e preserva nessa rede vital de (quase) sofrências

Saímos do barco ao chegarmos ao cais
E não abandonamos o território como o encontramos
Não nos satisfizemos com a orla
Adentramos pro-fundo

A boca gigantesca e insaciável 
dos sentidos conquistados nos (de)florou
Fomos engolidos por tal abismo...

Assim começa nossa história...
Com esse "medonho" que nos agarrou

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