sábado, 23 de janeiro de 2016

Elas

bustos
(Autoria da Imagem não identificada - Visto em: www.amplacomunicacao.com.br)

Deliram com as suas "belas conquistas"
Quais não sei...
Cometem os piores extremos e também os sofre
Tráfico, estupros, toda sorte de violências
Conspirações machistas
Traição dos rivais do dito "sexo frágil"
Não que haja algo de errado em ser frágil
Estamos jogadas em novas masmorras
Elas só não nos parecem como tais
Nelas morremos todos os dias
Metafórica e literalmente
Somos torturadas com novíssimos instrumentos
E por tantas novas ambições inalcançáveis
Fomos sentenciadas e sofremos a nossa pena
Sem sequer um processo instituído
Acorrentadas ainda pelos velhos e novos costumes
Que nunca mudam
Apenas se fantasiam, ao longo do tempo, de outra coisa
Representamos papeis de toda espécie
Desde que submissos
Não precisam parecer
Basta, àqueles que os impõem, sermos como nos querem
Atualmente obedecemos como se estivéssemos mandando
E os outros nos comandam como se obedecessem
Somos papeis nãos lidos, (re)lidos, esmaecidos
Desde que me ocupo de nós
O nossos "novos" comportamentos são incompreensíveis
Não nos vejo superando 
Apenas imitando o universo machista de alguns muitos homens
No que eles tem de pior (quase) sempre
Tem nos faltado a firmeza e a leveza feminina
Tem nos sobrado beleza e dureza também
E parece-me, por vezes, ser isso 
tudo o que importa
Contradizemo-nos
Nada contra o contraditório
Desde que consigamos nos conciliar conosco mesmo
Com nosso gênero tão diverso
Repleto de orientações e versões únicas e fascinantes
No entanto quanto mais bem sucedidas e escrupulosas somos
Menos inteligentes parecemos
Quanto mais populares mais solitárias, menos íntegras
Não sabemos o que procuramos
Nunca queremos o que encontramos
Porque nos perdemos de nós no caminho
O ser mulher, nos moldes contemporâneos, começa a me entediar
Tem implicado em não sermos o que queremos
Quanto mais nos parecemos com os homens
E nos envolvemos no mundo que tomaram para si
Como se, exclusivamente, seu o fosse
Quanto mais respondemos as suas obsessões
Mais obcecadas e insatisfeitas ficamos 
Todo o esforço exigido, a medida que progredimos, nos envelhece
E não se trata de aparência
Nesse movimento, cada dia, gostamos menos do que nos tornamos
Tão ausente de nós, dos nossos eus
O esforço em não ser nos tira o vigor
Há uma ordem anônima, antônima e covarde desordenando-nos
A nossa imagem não é mais imaginativa
Não é mais nossa, acredito que ainda não tenha sido
Tocou e trocou-nos a realidade a nós imputada
Não somos mais capazes de romances impossíveis
Daqueles que dramatizaram e alegraram a nossa juventude
Isso hoje é tolo, antiquado
Temos que ser práticas
Não podemos subir mais em árvores
Isso, inacreditavelmente, ainda é coisa de menino
Não nos equilibramos mais nos muros
É preciso escolher um lado
Não nos comunicamos com as outras pessoas
Lhes enviamos mensagens virtuais
Que são visualizadas e respondidas ou não
Não sofremos
Superamos os desafios
Não somos e não nos fazemos de vítimas
Será?
Não podemos sentir
Temos que fingir indiferença e satisfação
O tempo todo
Ser de verdade, nos dias de hoje, custaria muito

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