sábado, 2 de janeiro de 2016

Inclinação


Inclino-me à ação
que une e relaciona interesses
ermos
Interesses destinados a um só herdeiro
cuja alma pesa fundo
e a boca larga é sedenta
e nada encerra
Ao ser que carrega em si
o nome vulgar do hipocôndrio
silencioso como uma mulher
recolhida sem professar
De si a si
é pura superfície equidistante
De si ao outro
é forma impossível de dois genes
(Quase) Ponto de encontro
feito dos vários caminhos de uma só curva
Dividido não lhe sobra resto
O que subsiste é em estado latente
O não manifesto
na sua própria (de)composição
penetra-lhe o núcleo celular
e se transmite de um ao outro
de um para o outro
Conformando ideia e sujeito
à expressão do que se pensa e sente
enfatiza o silenciado e o dito
por vezes deixados
sem significado pleno ou preciso
O que resta não consiste em valor
O que a mim me custa
do mesmo modo que a ti
compreender e ter que esquecer
É a impressão que a combinação
de nossas belas cores
causou
ao desenhar-se em nós
os nós que as codificam
como coisa certa
expressão fiel
inegável
do sentir
Ter que esquecer é como ter em si
adagas tiradas da bainha
afiadas para cortar de um só golpe
penetrar fundo o corpo
e arrancar-lhe a alma
sem lavores ou ornatos
esvaziar tudo dentro
Sua intenção é fazer o corpo sangrar
o que não pode mais conter
o que lhe escapa em abundância
sem limites
Tal golpe tira-lhe 
o que lhe gesta e dá vida
faz parir neste instante
o íntimo dessas letras
E mais...
Em voz
toques
e (des)afetos...
Em outros tantos ais
Não apenas de dor e aflição

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