sábado, 30 de abril de 2016

A Seco

 
(Lara Fairie - Visto em www.contioutra.com)

Não seguiu o caminho de casa
Já não sabe aonde vai
É uma correspondência
Despachada numa tarde qualquer
Para um qualquer lugar

Desejou uma vida no campo
Uma realidade
Que chocasse menos
Que seu vislumbre

Ela e seu aspecto característico
Um pouco encurvada
Trazendo nas mãos
Sempre
Um susto
Ou mais

Ela amassando sonhos
Com sua mão direita
E os animando com a esquerda
Pondo a rodar tudo o que há

Num único dia
Despacha todos os assuntos
Toda uma vida
É agora um fantasma
Engolindo a seco
A materialidade de tudo aquém de si
Expondo seus papeis
Sem ao menos reparar neles

Não fosse o desespero
Abandonar-se-ia
A placidez de outro momento
Olhar a paisagem através de janelas
Reais e virtuais
Na esperança de que as cenas vistas
Sempre a arrancariam de sua distração

Não sabe o que não quer
Confunde-se
Admoestada pelo cotidiano rotineiro
Não compreende seu próprio processo

Esquecida dos outros
Só contam
Seu ego
Seus centros

Não escuta
Nem mesmo o que escreve
A poesia teria gostado de falar com ela

Porém...
A delicadeza
Nela...
Nem se avista
E logo desaparece

Seus sentidos limitados
A desejarem intervenção alienígena
Para mudar o curso do destino
Da viagem
Para fazê-la ir onde quer
Tomar o que é seu

Em infinitas doses
Gota-a-gota
Derramada em rios
Sem nada temer
Até se embriagar
Pedindo
Implorando

Apressa-te... Apressa-te... 

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