sábado, 25 de junho de 2016

Ali Dentro

(Autoria da imagem não identificada)

Ali dentro se passava uns suspiros...
Antes, nem curiosidade de ver o que se dava
atrás daquela porta
Agora um desejo de ver, sentir...
Por si mesmo

No primeiro olhar um instante de silêncios
Precavida pensou em uma testemunha para o que ocorria
Mas, em seguida, de súbito, abriu a porta

O que vira...
Antes um lugar vazio
Uma peça destinada aos trastes velhos
Um umbral sem mensagem
Um velho papel impresso, já desbotado
sem uso aparente
Um tinteiro vazio 
e suas penas
Secas

O que não se sabia...
É que ainda iluminava aquele lugar
uma vela posta... 
Velada até então

A emoção impediu o agudo da voz
quando aquele canto lhe tocou
quando aquele olhar lhe tropeçou
e lhe deixou em descoberto
Adentro do peito
corpo e alma, inteiramente, a nu

Até queixou-se do nó
Do quão mal se pagou o melhor
velado por aquela porta
O guardado pelo grave da voz
Mas, é tradição que o amor fique para quem o aguarda...
Guardado...

Castigo (in)justo e (in)evitável
O açoitado torna-se também açoitador?
Não é raro tal frustração

Agora, inteiramente, desnudado
Aquele espaço
duvida das palavras
não mais silenciadas
tornadas (in)sensatas

Entretanto
ainda temerosas
pelo medo do flagelo
Elas
não comem seu desjejum
E arriscam-se a pô-lo...
Sem cuidado algum...
A perder-se
outra vez

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