domingo, 19 de junho de 2016

Manhas de Inverno

(Autoria da imagem não identificada)

O Frio...
E uma luz acinzentada
Inspiram-me uma escrita de defesa
Tanto tempo transcorrido
Tantas perguntas não feitas
Não respondidas
Nada nos escritos convém à causa
Mais valia
Suas palavras
Em meio aos silêncios da voz
E das letras
Que afinal me aqueciam
Como as suas mãos a furtadelas
Que já não me acalmam
E não fazem mais carícias em meus cabelos
Infunde-me não esperança 
Mas, desespero
Este inverno
Que tarda a findar
No qual meu espírito está
Congelado, definhando
Na expectativa de (re)começo
Faz faltar de todo vontade
Já não há desprezo suficiente?
Já não há desejos de cuidados relevantes?
Já não descuidamos em demasia?...
Ainda que ligeiramente
Resta um pouco
Do que havia?
Subsiste vestígios consistentes
Significativos 
Do que quer que tenha co-existido
Em nós?
Algo daquilo que foi rompido
Está preservado?
Parece-me ter ficado 
Em mim
Esse quase-tudo em suspenso...
O cálice amargo
Que me tomou de um gole só
Que não me salvou de ti
Aperta-me ainda a garganta
Sorte?
(Ando) em risco
Traço (Quase) apagado
Encoberto pelo pó do tempo
Pela poeira do caminho
Que ninguém traçou
Sou espaço onde não irrompe
O clarão do dia
E onde a noite não enegrece
Sou presa de um não...
Calado no sim
Vago na neve não caída
Desse inverno seco
De (ser)tão...
Nado airosa neste mar de sal
Em um transe sem fim

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