sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels) - Em Memória do Manifesto Comunista - Antonio Labriola

LABRIOLA, Antônio. Em Memória do Manifesto Comunista. In: Manifesto Comunista. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich.  [Tradução de Álvaro Pina e Ivana Jinkings]. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 87-135.

Assist. Editorial: Ana Lotufo; Daniela Jinkings; e Eliza A. Buzzo;
Produção: Paula Pires;
Impressão e Acabamento: Gráfica e Editora Parma;
Capa: Antonio Kehl; 
Desenho: Maringoni;
Revisão: Ali Kobayashi; Flamarion Maués; Priscila Úrsula dos Santos
Editoração Eletrônica: Flávio Valverde Garotti.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels) - Prefácios de Marx e Engels

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Prefácios de Marx e Engels. In: Manifesto Comunista.  [Tradução de Álvaro Pina e Ivana Jinkings]. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 71-85.

Assist. Editorial: Ana Lotufo; Daniela Jinkings; e Eliza A. Buzzo;
Produção: Paula Pires;
Impressão e Acabamento: Gráfica e Editora Parma;
Capa: Antonio Kehl; 
Desenho: Maringoni;
Revisão: Ali Kobayashi; Flamarion Maués; Priscila Úrsula dos Santos
Editoração Eletrônica: Flávio Valverde Garotti.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels) - Manifesto Comunista

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista.  [Tradução de Álvaro Pina e Ivana Jinkings]. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 37-69.

Assist. Editorial: Ana Lotufo; Daniela Jinkings; e Eliza A. Buzzo;
Produção: Paula Pires;
Impressão e Acabamento: Gráfica e Editora Parma;
Capa: Antonio Kehl; 
Desenho: Maringoni;
Revisão: Ali Kobayashi; Flamarion Maués; Priscila Úrsula dos Santos
Editoração Eletrônica: Flávio Valverde Garotti.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels) - 150 Anos do Manifesto Comunista - Osvaldo Coggiola

COGGIOLA, Osvaldo. 150 Anos do Manifesto Comunista. In: Manifesto Comunista. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich.  [Tradução de Álvaro Pina e Ivana Jinkings]. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 9-35.

Assist. Editorial: Ana Lotufo; Daniela Jinkings; e Eliza A. Buzzo;
Produção: Paula Pires;
Impressão e Acabamento: Gráfica e Editora Parma;
Capa: Antonio Kehl; 
Desenho: Maringoni;
Revisão: Ali Kobayashi; Flamarion Maués; Priscila Úrsula dos Santos
Editoração Eletrônica: Flávio Valverde Garotti.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Manifesto Comunista (Karl Marx e Friedrich Engels) - Capa; Sumário; Nota da Edição

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Capa; Sumário; Nota da Edição. In: Manifesto Comunista. [Tradução de Álvaro Pina e Ivana Jinkings]. São Paulo: Boitempo, 2010, pp. 1-8.

Assist. Editorial: Ana Lotufo; Daniela Jinkings; e Eliza A. Buzzo;
Produção: Paula Pires;
Impressão e Acabamento: Gráfica e Editora Parma;
Capa: Antonio Kehl; 
Desenho: Maringoni;
Revisão: Ali Kobayashi; Flamarion Maués; Priscila Úrsula dos Santos
Editoração Eletrônica: Flávio Valverde Garotti;

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Meu Amigo

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(Michelangelo Buonarroti - Teto da Capela Cistina: A Criação de Adão - 1512)

Nesta minha viagem 
Pelo deserto
Que é a vida
Posso dizer
Que escrevi na pedra 
Tudo o que me aconteceu
Ou tudo o que me fizeram 
Os amigos
E os inimigos
Guardo tudo daqueles que me ergueram 
Ou que me derrubaram
Eu tenho um Amigo 
Em especial
Amigo como amigos devem ser
Daquele que além de ser o sol que me aquece
É a água que me refresca
A brisa que me incentiva a seguir em frente
A areia que se prende aos meus pés
Para que eu não me perca no caminho
E para que não me esqueça dos percalços
Dos incômodos que terei de enfrentar nesse deserto
Até conseguir alcançar o meu oásis
Já me encontrei em oásis ilusórios
Nos quais lavrei as minhas dores passadas
E nos quais também me afoguei
Até que esse Amigo me "salvou"
Ele trouxe-me de volta à margem
Sã e salva
Ele pode e fez
Não quis morrer comigo
Isso não seria coisa de amigo
Então eu o escrevi na pedra que se tornou meu coração
Você...
Meu Amigo...
Salvou minha vida
Quando eu estava me afogando
Nas areias de um deserto 
Vasto, lindo e traiçoeiro...
Trouxe-me de volta à margem
Deu-me água fresca para beber
Cuidou-me enquanto me contorcia em dores 
Úteis e inúteis
Salvou-me do deserto e de mim mesma
Quando se colocou no meu caminho
E dedicou seus sentimentos 
Sua atenção a mim
Amou-me para curar em mim o desespero de não ser a amada
Ensinou-me muitas lições de felicidade
Quando só o que havia em mim era tristeza
E ensinou-me também lições de tristeza
Para que eu aprendesse a supera-las
Quando não se apoiou na minha dor 
Para me manter acorrentada a ti
Quando disse o não e o sim que eu precisava ouvir
Quando me deixou comigo mesma
Mas não me deixou só
Salvou-me
Quando meu corpo vergou
Quando não alcancei o chão 
Embaixo dos meus pés
Quando me perdi 
Você me encontrou e me trouxe de volta a mim
Se eu tivesse deixado que se apagasse as histórias
Das vezes que caí ou que me derrubaram
Eu não saberia me levantar sozinha hoje
As quedas não são menos importantes
Que os soerguimentos
É esse conjunto que me faz saber
Qual é o seu lugar na minha vida
E o meu lugar na Sua
Porque aprendi com todos os danos 
Que porventura esse deserto tenha me causado
E não quero esquecer
Nem o "bem" nem o "mal"
Que experimentamos juntos
O esquecimento não é um ato de perdão
E sim de indiferença
Nós
Meu Amigo
Não somos indiferentes
Por isso não quero que nada se apague
Nenhum dos pequenos ou miseráveis gestos
Se os deixasse perder
Perderia a mim mesma e a ti

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Perdeu-se?

Resultado de imagem para semitério parisiense 
(Escultura Feminina em Pedra - Túmulo de Mademoiselle: Alix Lesgards - 1871-1919 - Semitério dos Prazeres - Lisboa-PT - Fotografia: Jorge Lima Alves)

Perdi-me
Na graça dos dias
Nas visitas de amigos
Com seus filhos pequenos
E suas belezas contestáveis
Nas maldades aparentes
Nas dúvidas do querer
Na visita aos mortos
Na arte tumular
No lugar dos (des)encontros
Na solidão
Tumultuado ar
Nada de novo
(Quase) uma vida
Sem por os pés na rua da amargura
Agora caminho por aí
No meio frustrante
Das possibilidades observáveis
Faço turismo com palavras
E sonho 
Com Paris por um dia
Viagem que pode custar tudo que se tem
E um pouco mais
Cedo as tentações
A solução é
Se deixar ir 
Sem pensar

sábado, 20 de agosto de 2016

Da Raiz às Folhas

(Richard Stainthorp - Sculpture: Arbre)

Os elementos que me constituem
Que compõem meus temas
Que coadunam-me e fragmentam
Que enterram-me num céu 
Ou elevam-me ao fundo dos mares
Que agridem a minha natureza terrena
Disponivel para a violência do olhar e das carícias do mundo
E de ser divino transformam-me em um ser social
Embora não sociável
Não sou eu

Esse registro autoral ou plagiado
De quem sou
Como sou
E do que sou
Que apresenta-se como o agente
E não como personagem de um processo
Enredado de tramas
Às vezes trágicas ou cômicas
Tantas outras épicas e dramáticas
E umas poucas românticas entre algumas irônicas
Não sou eu

Eu sou um equipamento que demanda técnica
Compõe-me um conteúdo distanciado do meu respectivo suporte
Que os gestos denunciam
Que forças contrárias impelem a dissimular  
E que constantemente vinculam e apartam-me
Da minha origem e do meu fim
Nunca estou no momento em que me doo
Não sou um fragmento fixo
Apenas sutilmente toca-me o universo exterior

Eu sou dia e sou noite
Sou a batalha entre Hórus e Seth
Em constante e necessário conflito
Eu sou em todo começo uma perda
E em todo fim um ganho
Obtenho de cada fim um reverso
Uma nova chance para melhor registro
Adormeço sob a ação da luz
Acordo sempre que me toca a escuridão
Nunca no mesmo lugar onde se deu o antes
Meu passar não é cronológico
Não sou desse tempo 
Não pertenço a época 
Não me contam as datas
Não sou dessa era
Espero a chegada do homem com o cântaro
Anseio pela água que ele traz
E que a morte e a vida me dera

Mas também sou folha
Se o vento me leva
Eu me deixo ir
Não sofro ao desgarrar-me 
Algumas das minhas flores
Roubam-me o meu primeiro lugar
Sou semente impregnada de chão
Mas sei voar
Morro para continuar a viver
Emprego-me em ser
Sou planta inteira
Minha seiva em mim trafega
Mesmo ao ser folha não me nego a ser raiz
E os meus eus fluem como brotos de planta seca
Que algumas vezes se dispõem a florescer 
Em outras renuncia a demonstração do que em si guarda
E também sou 
No orvalho caído 
O pranto da folha que o vento balança
Mas não leva

Quem eu sou as palavras negam 
O meu obvio vela
Não há uma verdade em mim
Quem eu sou custa toda a minha essência
Não há lógica nos meus traços
Sou o resto no que se vê dos meus vestígios perdidos
A encarnação em um toque ausente
A vista de um olhar prenhe
A memória de um corpo 
Registrado nas pegadas
Que se apagam a cada onda
Sou a oscilação forçada 
De um ponteiro que já não marca nada
Sou o tempo da natureza que não impende á eternidade

terça-feira, 16 de agosto de 2016

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A História Cultural: Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Notas Finais

CHARTIER, Roger. Índice dos Autores; Índice Temático; Agradecimentos; Índice Remissivo; e Nota de Orelha. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 231-245.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A História Cultural: Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. VIII


CHARTIER, Roger. Cap. VIII - Construção do Estado Moderno e Formas Culturais. Perspectivas e Questões. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 215-229.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A História Cultural: Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. VII

CHARTIER, Roger. Cap. VII - Cultura Política e Cultura Popular no Antigo Regime. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 189-213.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A História Cultural: Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. VI

CHARTIER, Roger. Cap. VI - Textos e Edições: A Literatura de Cordel. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 167-187.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A História Cultural: Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. V

CHARTIER, Roger. Cap. V - Práticas e Representações: Leituras Camponesas em França no Século XVIII. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 141-163.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A História Cultural - Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. IV

CHARTIER, Roger. Cap. IV - Textos, Impressos, Leituras. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 121-139.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A História Cultural - Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. III

CHARTIER, Roger. Cap. III - Cap. III - Formação Social e Habitus: Uma Leitura de Norbert Elias. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 91-119.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A História Cultural - Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. II

CHARTIER, Roger. Cap. II - Cap. II - O Passado Composto. Relações Entre Filosofia e História. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 69-89.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A História Cultural - Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Cap. I

CHARTIER, Roger. Cap. I - História Intelectual e História das Mentalidades: uma dupla reavaliação. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 29-67.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A História Cultural - Entre Práticas e Representações (Roger Chartier) - Nota de Apresentação e Introdução

CHARTIER, Roger. Nota de apresentação e Introdução. In: A História Cultural - Entre Práticas e Representações. Lisboa, DIFEL/Editora Bertrand Brasil S.A, 1990, pp. 7-28.

sábado, 30 de julho de 2016

Gregos... Latinos...

(Girls - Adam Martinakis)

Grego
Concordância que açula o verbo
E o assola 
Ao fazer-lhe aperceber-se do em si
Melindra-lhe com as consequências
O constrange a traduzir-se
Embaraça-lhe 
Em toda a sua perplexa complexidade
Expõe o que lhe faz ser o que é
E não outro

Latino
Império de um corpo com alma
Sujeito a (des)razão
Dessa coisa que existe ou poderia existir
Que é tua
E está em mim

...
Momento inoportuno
Ao longo do qual transversa planos
A lisonjear-te servilmente
A influenciar sua soberania
E seguir junto como destino certo
Sem termo
A instar pertença
Tal qual a posição respectiva dos algarismos
Ou a botoeira a casar-se com o botão

...
Pronome a obrigar-me
Capricho relativo
Que me pertence
Embora ignore
Ser sensível
Impressionado
Persuadido a reconhecer o que pressagia
O que lhe aflige e desestabiliza 
Como o toque sutil
Na curva entre o calcanhar e os dedos
Comoção transmitida pelos nervos
Em frangalhos
Percebida pela inteligência
Convertida em ideia fixa 
Pelo espírito entregue
Negada
Ser tomado não só por si
Compacto antes inabitado

...
Ser estúpido incapaz de aprender
A consequência de um vício
A peça do teu tabuleiro
A pedra da tua balança
A consistência que te faz librar

...
Lugar a ser ocupado pelo meu corpo
Azo à minha causa
O meu azar
Meu enguiço
Meu quebranto

...
Interseção (in)conciliadora 
Que te deu tonalidades (extra)ordinárias
Sem o aspecto ou a cor da platina
Fraco irídio
Metal friável

...
Pessoa do singular
De dois gêneros
Vulnerável
Suscetível ao meu opalífero
Apartada dessa criatura que sou
Incerta voz secreta 
Que silenciada mata-me

...
Combinação que te confronta
Que não ilumina o suficiente
Vivacidade intermediada entre tons
Do vermelho ao azul
Do preto ao branco
Dada a desmandos leves
Quase sempre mortificada

...
Que se me renuncia ou abandona
Se não faz caso de mim
Cesso de sentir e fazer sentido
Cujo desprezo
Torna-me cinzas de um cadáver
Jazigo vazio
Alvéolo em que abelhas não depositam mel
Casulo sem semente ou larvas

...
Oposição que se insinua
Correspondência não condigna
Parte hemiédrica

...
A pedir que silencie meus restos mortais
Ou parte deles
A silenciar os teus
Impositora de penitência
Atormentada por pecados não cometidos
Sujeita a sacrifícios
Inflige-se e a mim
Tormentos

Se me pedes...
Não te consinto ir
Não te deixo atrás
Levo-te comigo
Leva-me consigo
Nada existe sem uma causa
Ou um caos

sábado, 23 de julho de 2016

Hoje Senti Medo

(Autoria da imagem não identificada)

Nos dias anteriores ao de hoje
percebi com meus sentidos
tive sensações
fui impressionada
impressionei
elaborei opiniões
pensei sobre tudo que me tem convencido ou não

No antes
reconheci fundamentos ignorados outrora
conjecturei
adivinhei
pressenti
pressagiei
Atentei-me à indícios
Experimentei mudanças
dentro e fora de mim
Sofri as consequências
Afligi-me
Melindrei-me com o belo
Sofri

Não visitei
antes de hoje
a língua falada pelos medos
Não me constituiu
em tempo algum
anterior
esse meio de expressão
intermediário
Essa pontuação mínima
nunca 
antes
foi admitida em mim
Sempre apeteceu-me ao paladar
muito café
com leite pingado
servido em xícara grande

Antes de hoje
nunca estive a meio caminho
(Quase) sempre de permeio
Entressachada
Fui farol
Que chama
Estive
nos dias idos
em posição de ataque
Agora
Depois de hoje
assim
em perigo
sob ameaça
hipotéticas e imaginárias
Talvez
Não seja capaz sequer de estar

Nunca antes me faltou coragem
Agora
o já sido
é o fantasma que assombra
É um monte de areia
formado pelo vento
do tempo
a matar a planta selvagem
a que não se amansou facilmente
a que se desenvolveu
sem cuidados muito especiais
Bravia como um por quê
a sem flores ou frutos

Antes de hoje
um ser zangado
perturbado
com o passado
com o porvir
E repentinamente
acontecido
fora do tempo de cada compasso
não funcionando
trazendo consigo o desaparecer
ser logrado à preposição 
a serviço do infinitivo

Depois de hoje
realçaram-se as características temporárias
de ser habitat
não muito acima do rés do chão
de não ser moradia
de ser inconforme 
para com regras ou leis
Antes e depois de hoje
não era
torna-se anomalia irregular
que se repete a intervalos desiguais
O de praxe

Depois desse dia
é mistério que não pode mais existir
É coisa indeterminada
feita
É não ser a hesitar
É sem muito mérito
extravagante
Contado à parte
Ordinário
conduzido pelo dentro
para fora
ir além
É vacatura
cheia de si

Hoje
Alterou-se
Inesperadamente
O andamento
Regular das coisas
Coisa
Rara

Hoje
Senti 
Medo

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Terra em Causa

(Imagem vista em: www.livrossa.com - Livro: Hiroshima, de John Hersey)

O abismo está posto no corpo
Nele se encontra o alvorecer da morte
Ele é o caminho nessa terra dissoluta
Se avizinha dele
Resíduos de substâncias já espremidas
Bagaços do que foram

O balanço que os suga
Para este lugar do bom sossego
É como o movimento do caldo da cana no fogo
E do caldo corpo derramando
Não há caminho da volta de tão belo paraíso

Se volta há
É o canto da vida matando de medo
É o chão de ninguém tomado para si
É o chicote da traição
Crispando a pele e enganando os dedos

Nele o único som é do choro calado
O choro da terra desfeita em poeira
Da ausência do aplauso no circo armado
Do limão no cobre do tacho
Que lima e limpa o resíduo sobrado
É o som do começo do passo na estrada no seu fim
E do vento numa nau em desuso

O abismo no corpo a espera da vida que vaga
É como um clamor a pedir o entusiasmo da água do mar
Que suas ondas o levem
Que seu sal tempere a dor e a consuma
Que seu sol aqueça melhor tão incerta bruma

Um corpo abismado 
É agitado e levado pelos delírios da seca
No tropel do tumultuoso caminho que percorre errante
Ao sabor do mar adentro a que não se chega
E do escaldante e deserto tempo
Desejoso das águas de um rio
Que o beba

O futuro de tal caminho é um desenho desbotado
O destino incerto determinando
O dever de honra nele seguir andando
Dever que contrasta com pés gretados

Todo domínio abismal o subordina
O fardo é o fim chegado
O fim da hora que nunca termina
O fruto que ignora o próprio giro
E não percebe que do pé jaz caído

No seu quedar real imaginado
O cerca um incêndio de velas
E uma multidão de mortos por ele lastima 
Oh luz apagada
Oh livro fechado
Oh lombo de burro
Oh lugar-comum
Em tudo o melado amargo do sangue rola
Ele que já fora azulado de nobre
Agora é gangrena 
Podre
Pobre

A menina
No mundo vertendo lágrimas
Por nada 
Por não saber o caminho da volta
Por nascer viva e viver morta
Excluída de si 
Chove

De olhar estranho e alienado
O corpo no abismo entrado
Não vê mais a menina
Vê apenas que ela chove
A olhar em torno tudo
Olho no olho 
Cegado não vê passado nem futuro
Se vê perdido em ser tão

O pesadelo dela no corpo assombrado
Pulsa no sim que fora não
O que resta e a que se presta
O atraente rastro do ausente
Não há repouso nesse caminho cão

Resgatar-se à vida
Retornar sem voltar-se ao que não é
Sem beber do riacho das almas passadas
O riso solto que era presa do medo
O sangue azul que se purpurificou
As lágrimas que regaram esse enredo

Ser sinal exterior de um sacramento íntimo
É como ferver os sonhos no crisol
E soprar na gaita todos os hinos
Do tempo da ilusão
Do tempo confrangido

O velar da hora extinta
É velório do vento vingador soprado
É se por a beira de um caminho já percorrido
E dele só reter o pó
É viver no morto e morrer ensimesmado
É ser andarilho e esperar colheita
É ser o carro dos bois
É ser guia cego por cego guiado
É ensinar o que não se aprende
É excluir o já excluído

Nos limites invisíveis e inalcançáveis desse caminho
Em que mortos guiam vivos
Onde se come os insetos e não o mel
E os silêncios gritam 
De modo convincente 
Que não conseguem ver o que se abeira
Nem os vestígios bárbaros da terra em causa que grita